Tirando a cabeça da terra.
Tirando a cabeça da terra.

Favor ler até o fim, com calma e atenção antes de chegarem à conclusões.

No dia 10 de feveiro de 2015, leio um post entitulado "DICA DE CORRIDA DO DIA: JAMAIS VÁ A UM NUTRICIONISTA!".http://http://blogrecorrido.com/2015/02/10/dica-de-corrida-do-dia-jamais-va-a-um-nutricionista/comment-page-3/#comment-3395

O autor, um professor de educação fisica, que cursou alguns anos de faculdade de nutrição (SIC), faz uma critica aos profissionais especialistas em nutrição e à pratica da ciência da nutrição.

Eu, pessoalmente, parabenizo o autor pela sua sinceridade, ousadia e coragem; Ele ousou exprimir publicamente o que muitos pensam da "nutrição" mas dizem "às escondidas".

Ele generalizou e colocou todos os profissionais num mesmo saco? Sim, ele poderia ter utilizado alguns advérbios para minimizar o afronto.

Ele foi indelicado? Não, ele foi sincero e direto.

Ele difamou as pessoas? Não, ele criticou uma classe profissional.

Ele é burro? Não parece.

Se lermos com bastante calma e sem emoções, percebemos que ele falou de um contexto bem especifico.

O que ele escreveu me doeu, porque sou formada em nutrição e defendo esta profissão assim como esta especialidade dentro da área da saúde e dentro das ciências. Mas gostei de ler algo tão sincero.

Minha profissão (não posso falar que sou nutricionista porque moro há 18 anos fora e não pago o conselho de classe e até hoje não entendo porque teria que pagar poque aqui não tem como eles praticarem...enfim), ou melhor minha área de atuação ou pesquisa ou interesse, enfrenta um sério problema social. Nos perdemos querendo abraçar várias especialidades e agora somos generalistas de uma ciência tão vasta, que acabamos não dando conta de tudo e nos sentimos donos de uma "verdade" porque temos uma legislação que nos protege.

O resultado é que não entendemos de fisiologia, farmacologia, entre outros, tão bem quanto um médico; não entendemos tão bem de gestão quanto um administrador em hotelaria; não entendemos tão bem de fisiologia do esporte quanto um fisiologista; não entendemos de saúde pública tão bem quanto um especialista em saúde pública (saúde pública é um mundo por si so!); não entendemos de remédios, cápsulas, suplementos e outros, tão bem como um farmacêutico; não entendemos tão bem do "comer" que é pautado pela sociologia e antropologia como um chef; não entendemos tão bem de transformação química dos alimentos como um gastrônomo ou engenheiro de alimentos; não entendemos tão bem de inocuidade de alimentos como um médico veterinário; não entendemos tão bem de fornecimento de alimentos para as populações como um engenheiro agrônomo.

Temos que entender tão bem ou melhor que estes profissionais quando o assunto for alimento, alimentação e nutrição. Mas isso não acontece porque, ao meu ver, insistimos no profissional generalista que acaba (culpa do mercado) fazendo de tudo um pouco: atende na clínica, passa na padaria para cuidar da qualidade dos alimentos, escreve uns textos aqui e acolá para embasar alguns produtos alimentícios ou blogs, se candidata para uma vaga em UAN, calcula composição química de alimentos para uma pequena empresa...Enfim vai se virando. E com razão!!!

Como nossa profissão e atuação estão intimamente ligadas à sociedade, não podemos mais enfiar a cabeça na terra (como avestruz) e "empurrar com a barriga". Temos que levantar a cabeça, encarar a situaçao de frente, tentar entender porque chegamos até aqui e procurar propostas de solução ou melhoria.

Vendo os ataques nas redes sociais ao autor eu fiquei mais triste ainda. Acho que no fundo, no fundo, eu estava esperando que um colega da área da nutrição esportiva respondesse à altura, com argumentação técnica, do tipo "para mim a hidratação do atleta x é y,z; acho que você se deparou com alguns charlatões." Ou sei lá! Algo inteligente, que mostrasse que temos sim preparo e argumentação técnico cientifica.

Eu li palavrões. Isso é argumentação?

Eu li denúncias. Isso é argumentação?

Eu li pessoas se defendendo. Eu li discursos defendendo que a nossa profissão (ops! a vossa, não posso me considerar um nutricionista no Brasil) é linda. Sim é linda, mas... ??????

Vamos nos fechar, vamos oprimir e reprimir a opinião alheia?

Conseguimos ir somente até o insulto e negar que algumas pessoas nos vêm como não gostaríamos que nos vissem? Vamos continuar nas nossas árvores como Polyanas?

Espero que não, espero ler daqui um tempo: VÁ CORRENDO A UM NUTRICIONISTA!!

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